24 de Jun, 2026
Rota Bioceânica já impulsiona turismo e negócios em MS antes da conclusão da ponte
23 de Jun, 2026

Mesmo antes da conclusão da ponte internacional sobre o Rio Paraguai, que ligará Porto Murtinho a Carmelo Peralta, no Paraguai, a Rota Bioceânica já começa a transformar a economia de Mato Grosso do Sul. Com a obra 90% executada, o corredor logístico já provoca impactos diretos principalmente nos setores de turismo, comércio e serviços.

O chamado Corredor Bioceânico de Capricórnio terá aproximadamente 3,9 mil quilômetros de extensão, conectando Brasil, Paraguai, Argentina e Chile em uma rota rodoviária estratégica entre os oceanos Atlântico e Pacífico. O principal objetivo é reduzir significativamente o tempo de transporte de mercadorias entre a América do Sul e os mercados asiáticos.

Enquanto a conexão logística ainda caminha para sua conclusão, o turismo já desponta como um dos primeiros setores a sentir os efeitos da nova rota.

Segundo a assessora especial de integração do Corredor Bioceânico na Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Danniele Paiva, as projeções são otimistas.

“A expectativa é de crescimento expressivo no fluxo turístico já nos primeiros anos de funcionamento da rota. A estimativa é de aumento entre 30% no primeiro ano e até 70% a partir do segundo, considerando inicialmente apenas o turismo rodoviário”, explicou.

Ela destaca que esse impacto pode ser ainda maior com a ampliação da conectividade aérea entre os países envolvidos.

“Esse crescimento tende a ser potencializado caso haja expansão da malha aérea. O turismo é um dos primeiros setores a responder quando novas conexões são abertas”, acrescentou.

O diretor-presidente da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur), Bruno Wendling, avalia que a nova ligação rodoviária terá efeito contínuo no fortalecimento dos destinos turísticos da região.

“Sempre que há ampliação de acessos e melhoria de conectividade entre destinos, o turismo responde de forma positiva. A conclusão da ponte e a estrutura alfandegária serão fundamentais para consolidar esse crescimento”, afirmou.

Em Porto Murtinho, empresários do setor turístico já percebem mudanças no comportamento do mercado.

A turismóloga Annice Dias, responsável pela primeira agência de turismo da cidade, relata aumento na procura de visitantes, inclusive vindos do Paraguai.

“O fluxo de visitantes já começou a crescer. Temos recebido demanda de cidades paraguaias como Loma Plata, Filadélfia e Vallemí. Muitos turistas paraguaios buscam destinos como Bonito, Jardim, Bodoquena e Campo Grande”, disse.

Além dos roteiros tradicionais, novas experiências turísticas vêm sendo estruturadas na região, como passeios de contemplação no Rio Paraguai, cicloturismo e visitas técnicas para observação da obra da ponte.

“A obra da ponte já se tornou um atrativo. Temos passeios de barco até a estrutura e roteiros de cicloturismo que incluem travessia de balsa e experiências gastronômicas regionais”, explicou Annice.

Comércio e logística ganham protagonismo

No setor econômico, a principal expectativa está na redução dos custos logísticos e na agilidade para exportações e importações.

Com a operação completa da rota, o tempo de transporte de cargas para a Ásia poderá ser reduzido em até duas semanas, aumentando a competitividade dos produtos sul-mato-grossenses.

“Quando as questões alfandegárias estiverem plenamente resolvidas, o transporte de mercadorias será muito mais eficiente. Já é possível perceber um interesse crescente de empresas em se instalar na região”, destacou Danniele Paiva.

Empresários sul-mato-grossenses já se preparam para essa nova realidade.

Em Jardim, o empresário Luiz Carlos Malacarne, do setor de distribuição de combustíveis, vem ampliando sua estrutura para atender a futura demanda.

“A Rota Bioceânica representa uma oportunidade enorme para toda a região. Estamos investindo em infraestrutura, tecnologia, treinamento e logística para acompanhar esse novo momento”, afirmou.

Segundo ele, a expectativa é ampliar em até 30% a capacidade de atendimento com a conclusão da rota.

O secretário da Semadesc, Artur Falcette, reforça que a Rota Bioceânica representa uma transformação estrutural para Mato Grosso do Sul.

“Estamos diante de um projeto que vai além da logística. A Rota Bioceânica fortalece o desenvolvimento regional, amplia mercados, impulsiona investimentos e gera novas oportunidades para toda a cadeia produtiva”, destacou.

Além do comércio exterior, o corredor também deve acelerar a valorização imobiliária, fortalecer o setor de serviços e consolidar cidades estratégicas como Porto Murtinho, Dourados e Campo Grande como polos logísticos e econômicos.

Com a conclusão da ponte cada vez mais próxima, Mato Grosso do Sul se posiciona como peça central de uma nova rota internacional de integração, capaz de redesenhar a dinâmica econômica e turística da América do Sul.
 

Da Redação

Foto: Assessoria




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