Quando Marilene Oliveira, de 59 anos, se mudou para a Moreninha IV, o bairro ainda não tinha água nem energia elétrica. Ônibus não passava por ali e, nos dias de chuva, sair de casa exigia improviso.
“Não tinha nada. Comprei meu terreno, depois construí minha casa. Nem ônibus passava. Os vizinhos se ajudavam”, recorda.
Décadas depois, a aposentada acompanha outra transformação diante de casa. A drenagem começou, vieram as medições e o maquinário já circula pelas ruas onde o asfalto ainda é aguardado. Para quem se acostumou a enfrentar a terra e a lama, a mudança tem um significado bastante concreto.
“Quando chovia tinha que sair com sacola no pé, agora começamos a ver o maquinário chegar. Já fez o encanamento, medição, estamos confiantes com a chegada do asfalto”, conta.
A expectativa de Marilene ajuda a traduzir a dimensão de um conjunto de obras que avança pela região das Moreninhas, uma das mais populosas de Campo Grande. Pavimentação, drenagem, recapeamento e a preparação de um novo acesso integram um projeto que, considerando as intervenções realizadas, em andamento e previstas, chega a quase R$ 125 milhões em investimentos e beneficia uma região onde vivem cerca de 30 mil pessoas.
Sob a gestão do governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, as obras procuram enfrentar problemas que durante décadas fizeram parte da rotina de moradores: poeira durante a estiagem, lama nas chuvas, dificuldade de circulação, ruas intransitáveis e prejuízos à mobilidade dentro do próprio bairro.
Parte dessa realidade já mudou.
Antônio Pereira Rodrigues mora há 42 anos na Cidade Morena, na entrada da região das Moreninhas.
Durante boa parte desse período, conviveu com as consequências das ruas sem pavimentação. O asfalto chegou à frente de sua casa há dois anos.
“Tudo mudou depois do asfalto. Começamos pela estética do bairro, que ficou mais bonito. Aqui, quando chovia, era um caos total. Descia aquela enxurrada das Moreninhas, a gente não conseguia sair de casa. Estamos em outra realidade”, relata.
Para Antônio, o efeito não ficou restrito à possibilidade de entrar e sair de casa com mais facilidade. Segundo ele, os imóveis passaram a ser mais valorizados e os moradores começaram a investir mais nas próprias casas e no comércio da região.
“A nossa casa foi valorizada, as pessoas começaram a investir em comércio e reforma da casa. Uma mudança radical para melhor”, afirma.
Essa passagem de uma dificuldade cotidiana para uma melhoria urbana é o ponto central do projeto desenvolvido na região. Um dos principais trechos já concluídos envolve pavimentação, drenagem e recapeamento da Avenida Alto da Serra e intervenções em ruas das Moreninhas, Cidade Morena e Nova Capital.
O pacote alcança vias como Buenópolis, Inconfidente, Ubirajara, Guarani, Floreal, Salmorão, Jaguariúna, Israelândia, Joaquim Leonardo Maia, Crispim Moura, Bento de Souza, Osni Moura, Olívia Moura, Luiz Baptista Pereira de Almeida, Camocim, Macambira e Peruíbe, além de outras ruas e travessas da região.
As intervenções também envolveram a Avenida Gury Marques, onde os serviços começaram pela drenagem, acompanhada de recapeamento e implantação de ruas laterais.
Para os moradores, a infraestrutura significa algo que vai além da camada de asfalto. Na época das chuvas, áreas da Cidade Morena chegavam a registrar lamaçal que dificultava ou mesmo impedia a saída de veículos das residências. É sobre esse tipo de obstáculo cotidiano que as obras procuram atuar.
Riedel afirma que a meta é levar a pavimentação a toda a região.
“Uma grande satisfação passar pelas Moreninhas e ver todas estas obras de pavimentação, tanto as que foram concluídas como as em andamento. Todo bairro será asfaltado”, afirmou o governador.
Segundo ele, além das intervenções internas, o planejamento inclui uma nova ligação viária entre as Moreninhas e os bairros Rita Vieira e Itamaracá. “A maior alegria é encontrar com a comunidade e ver este sentimento de sonho realizado. São obras que estão fazendo diferença na vida das pessoas”, disse.
Uma região que cresceu – e acumulou demandas
O desafio de infraestrutura acompanha a própria expansão das Moreninhas. Uma das regiões tradicionais de Campo Grande, o bairro cresceu das Moreninhas I, II e III para a Moreninha IV, ampliando também a necessidade por drenagem, pavimentação e melhores condições de circulação.
Na Moreninha IV, duas etapas de pavimentação já foram concluídas.
A primeira contemplou as ruas Maria Cândida de Rezende, Orlomar Fernandes, Ivo Osman Miranda e Copaíba, com R$ 1,4 milhão destinado à pavimentação e drenagem.
Na segunda etapa, receberam as intervenções as ruas João Adolfo Cintra, Cândida Menezes Cintra, Antônio Pires de Oliveira, Elias Saad e Clotilde Chaia. O investimento estadual foi superior a R$ 1,29 milhão.
José Lúcio de Araújo Júnior, morador do bairro há 12 anos, conhece bem a diferença entre os dois momentos.
“Aqui, na época sem asfalto, era só terra vermelha, poeira e barro. Quando chovia a gente sofria mais. Uma vez atolei minha moto e acabei caindo na frente de casa”, lembra.
Há quase um ano, segundo ele, o asfalto chegou.
“Com certeza foi uma mudança ótima não apenas para mim, mas para todos aqui. Valorizou bastante nosso imóvel também. Moro aqui com a minha filha e ninguém quer sair aqui do bairro”, diz.
Enquanto famílias como a de José Lúcio já convivem com a nova estrutura, outras ainda acompanham as frentes de trabalho. As obras continuam em ruas das Moreninhas III e IV, com R$ 9,1 milhões em investimentos.
De acordo com José Alexandre Delmondes, engenheiro responsável pela obra, os serviços avançam simultaneamente em mais de um ponto.
“Já iniciamos o serviço de drenagem e terraplanagem, em duas frentes. Em breve já aplicamos o asfalto em diversas ruas. O objetivo é que, ao concluir esta etapa, poderemos asfaltar 100% as Moreninhas”, explicou.
A conclusão dessas frentes é parte da meta apresentada pela gestão estadual de alcançar toda a região com pavimentação.
Asfalto também muda pequenas rotinas
Para Marilene, que ainda espera a conclusão da obra diante de casa, existe outro efeito esperado que não aparece imediatamente nos números do investimento.
A aposentada participa de um projeto social que distribui verduras à população do bairro. Sem pavimentação, chuva e poeira interferem até nessa atividade. Por isso, ela costuma receber as pessoas na própria varanda.
“Trago todo mundo para minha varanda, porque se chove ou está poeira fica ruim entregar lá fora. Com o asfalto chegando tudo isto vai melhorar”, afirma.
É uma pequena rotina diante de um investimento de milhões de reais, mas ajuda a mostrar como obras de infraestrutura chegam ao cotidiano: na moto que deixa de atolar, no carro que consegue sair de casa durante a chuva, na reforma feita depois da valorização do imóvel ou na distribuição de verduras que pode acontecer sem depender das condições da rua.

Novo acesso está previsto
A próxima etapa de maior impacto para a mobilidade da região está fora das ruas internas do bairro.
O Governo do Estado prevê um novo acesso entre a Avenida Alto da Serra, nas Moreninhas, e a Avenida Salomão Abdala, no Rita Vieira. A ligação deverá criar outra alternativa para o deslocamento dos moradores e integrar a região aos bairros vizinhos.
O investimento previsto é de R$ 57 milhões, e a licitação para execução do projeto já foi publicada.
A implantação ainda exige procedimentos anteriores à obra, entre eles a desapropriação de áreas atingidas pelo futuro traçado. Para viabilizar essa etapa, Governo do Estado e Prefeitura de Campo Grande firmaram convênio.
É também por isso que a transformação das Moreninhas ainda não pode ser tratada apenas como uma obra concluída. Parte das ruas já recebeu pavimentação, outras continuam em intervenção e o novo acesso permanece como uma etapa futura do projeto.
Para moradores como Marilene, porém, a mudança começa a ganhar forma antes mesmo da última camada de asfalto. Depois de chegar a um bairro onde, segundo ela, não havia água, luz nem ônibus, agora ela observa máquinas trabalhando na rua e espera abandonar definitivamente uma lembrança que atravessou boa parte de sua vida nas Moreninhas: a de precisar colocar sacolas nos pés para enfrentar a lama.