O deputado estadual Pedro Kemp (PT) promoveu na tarde desta quarta-feira (11), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), uma audiência pública para discutir o déficit habitacional no Estado. O encontro teve como tema “Fraternidade e Moradia” e integrou a programação da Campanha da Fraternidade 2026.
A audiência foi organizada em parceria com a Arquidiocese de Campo Grande e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) – Regional Oeste 1, reunindo representantes da Igreja, do poder público e de movimentos sociais para discutir caminhos voltados à ampliação do acesso à moradia digna.
Ao abrir o encontro, Pedro Kemp destacou que a moradia é um direito fundamental e um dos principais desafios sociais do país.
“A moradia é muito mais do que um teto. Ela representa dignidade, segurança, pertencimento e a possibilidade concreta de construir um projeto de vida. Quando milhões de brasileiros ainda enfrentam déficit habitacional ou vivem em condições precárias, estamos diante de um desafio social profundo que interpela o Estado e toda a sociedade.”
O parlamentar afirmou que a audiência pública busca reunir diferentes experiências e propostas capazes de fortalecer políticas públicas voltadas à habitação.
“Esta audiência pública é um espaço de escuta, diálogo e construção de caminhos. Aqui reunimos diferentes vozes para refletir sobre políticas públicas e alternativas capazes de garantir o direito fundamental à moradia.”
Debate sobre orçamento público
Durante o encontro, autoridades e representantes da sociedade civil apresentaram dados e propostas sobre a política habitacional.
O vereador de Campo Grande Landmark Rios (PT) defendeu que o debate sobre moradia precisa estar diretamente ligado à discussão do orçamento público.
“Quando se fala de habitação, nós precisamos fazer o debate nas casas de leis sobre o dinheiro do orçamento. É no orçamento que nós precisamos debater.”
O parlamentar também citou um projeto apresentado por seu mandato na Câmara Municipal que propõe a destinação de 1% do orçamento de Campo Grande para políticas de habitação.
“Campo Grande tem um orçamento de quase 6 bilhões e a gente percebe que a caneta do gestor da habitação tem pouca tinta. Nós precisamos colocar tinta na caneta de quem executa a política pública de habitação. Isso significa destinar parte do orçamento para essa área.”
Segundo Landmark, o debate é urgente diante do crescimento das ocupações urbanas e da fila por moradia na Capital.
“Hoje nós temos mais de 30 mil ou 40 mil pessoas esperando uma casa própria e aproximadamente 220 ocupações ou favelas em Campo Grande. Muitas vezes essas realidades estão na periferia da periferia, longe dos olhos de quem vive nas áreas centrais da cidade.”
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Igreja destaca importância da parceria social
O arcebispo metropolitano de Campo Grande, Dom Dimas Lara Barbosa, destacou que o tema da moradia envolve toda a sociedade e não apenas instituições religiosas.
“A campanha da fraternidade já há algumas décadas aborda temas de grande relevância social. Saúde pública, educação, família e agora moradia não são temas de católicos, são temas que dizem respeito à cidadania.”
Segundo ele, enfrentar o déficit habitacional exige cooperação entre diferentes setores.
“É um problema cuja atitude exige essa parceria sempre benéfica entre o poder público e a sociedade civil organizada.”
Déficit habitacional exige mais recursos
Durante o debate, gestores da política habitacional apresentaram dados sobre os desafios da área.
A diretora-presidente da Agehab-MS, Maria do Carmo Avesani Lopes, destacou que o custo da construção de moradias exige planejamento e priorização de recursos públicos.
“Se a gente fosse subsidiar 100% de uma moradia, atenderíamos muito poucas pessoas, porque a casa custa muito caro. Uma moradia pode custar em torno de R$ 120 mil, sem contar o terreno e a infraestrutura necessária.”
Ela explicou que os programas habitacionais buscam equilibrar subsídios e financiamento para ampliar o número de famílias atendidas.
“A lógica é gastar mais com quem pode menos e ajudar também aquelas famílias que, por pouco, não conseguem acessar sua casa própria.”
Campo Grande pode precisar de 117 mil novas moradias
O diretor-presidente da Agência Municipal de Habitação (Emha), Cláudio Marques, apresentou dados sobre a situação habitacional da Capital.
Segundo ele, estudos indicam que Campo Grande pode precisar de 117 mil novas moradias até 2035, sendo 67 mil unidades destinadas à população com renda de até três salários mínimos.
“Hoje nós temos 882 unidades sendo construídas para a faixa 1 do Minha Casa Minha Vida, que atende famílias com renda de até R$ 2.850. Mas o cobertor é curto e o orçamento ainda é pequeno diante da necessidade".
Ele reforçou que ampliar os recursos destinados à habitação é fundamental para enfrentar o déficit.
“Quando se fala em orçamento para habitação, se fala em mudança de vida, dignidade e comprometimento. Essa pauta precisa entrar cada vez mais no debate público.”
Da Redação
Fotos: Giovane Colletti e Pedro Roque