Produtores rurais e representantes de entidades do setor produtivo se reuniram em Dourados para discutir desafios considerados importantes para a próxima etapa de crescimento do agronegócio de Mato Grosso do Sul.
O encontro contou com a participação do governador Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição, além de representantes da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), sindicatos rurais e empresários. Entre os assuntos debatidos estiveram infraestrutura, logística, digitalização de serviços públicos, preservação ambiental, atração de investimentos e formação profissional.
Um dos relatos foi do pecuarista Paulo César Barbosa Vieira, de Dourados. Segundo ele, melhorias nas estradas e a possibilidade de resolver procedimentos ligados à propriedade pela internet reduziram deslocamentos e tempo gasto com burocracia.
“Hoje nós não precisamos mais nos deslocar. Conseguimos fazer tudo on-line, de forma fácil”, afirmou.
Para o produtor, a melhoria da infraestrutura também interfere diretamente nos custos da atividade.
“A gente tem mais tempo para produzir, mais e melhores estradas, o que facilita o transporte da produção e diminui tempo e custo”, disse.
Logística permanece entre os desafios
A discussão mostrou que o avanço da produção rural está ligado a uma cadeia que vai além das propriedades e envolve transporte, armazenagem, indústria, comércio, pesquisa e tecnologia.
Nesse cenário, produtores apontaram estradas, custos logísticos, disponibilidade de trabalhadores qualificados e capacidade de processamento da matéria-prima dentro do Estado entre os pontos que precisam acompanhar a expansão do setor.
O presidente do Sindicato Rural de Dourados, Gino Ferreira, defendeu maior diálogo entre produtores e poder público para que as demandas específicas do setor sejam consideradas no planejamento estadual.
Já o diretor da entidade, José Tarso Rosa, destacou a participação do agronegócio na economia sul-mato-grossense.
Preservação entra na discussão econômica
Outro tema debatido foi a possibilidade de conciliar produção rural e preservação ambiental.
O presidente da Famasul, Marcelo Bertoni, citou o Programa de Pagamento por Serviços Ambientais no Bioma Pantanal (PSA Bioma Pantanal), que prevê incentivos financeiros relacionados à conservação de vegetação nativa e outras ações ambientais.
“Quem preserva hoje é o produtor rural e, quando ele preserva mais do que a lei, é lógico que ele tem que ter um incentivo para isso”, afirmou.
A proposta busca criar mecanismos econômicos para remunerar determinados serviços ambientais realizados nas propriedades, além de contemplar iniciativas relacionadas à prevenção de incêndios florestais.
Industrialização aumenta demanda por mão de obra
A atração de indústrias ligadas ao agronegócio também entrou na pauta.
A avaliação apresentada durante o encontro é de que processar uma parcela maior da produção dentro de Mato Grosso do Sul pode ampliar a geração de empregos e movimentar setores de serviços e comércio nos municípios.
Ao mesmo tempo, novos empreendimentos aumentam a necessidade de trabalhadores com formação técnica.
Durante o encontro, Riedel afirmou que 55 mil estudantes do ensino médio estadual estão matriculados em cursos profissionalizantes, dado apresentado pelo governador dentro da estratégia de aproximar educação e mercado de trabalho.
Mobilidade social também entra no debate
O governador também relacionou crescimento econômico, educação e políticas sociais à possibilidade de ascensão econômica da população.
Mato Grosso do Sul aparece na primeira posição entre os estados em um dos indicadores do Atlas da Mobilidade Social: a probabilidade estimada de uma criança de baixa renda alcançar, quando adulta, os 10% de maior renda do país. O indicador para o Estado é de 2,91%, ante média nacional de 1,81%. O Atlas é desenvolvido pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds) em parceria com pesquisadores da UFPE.
Dados apresentados pela política estadual “Sem Deixar Ninguém Para Trás” também apontam que a extrema pobreza caiu de 2,7% para 1,6% entre 2022 e 2024, enquanto a proporção da população em situação de pobreza passou de 23% para 17,7%. Esses números constam da iniciativa apresentada pelo Estado ao Centro de Liderança Pública.
Encontro também teve dimensão eleitoral
Além das discussões sobre o setor produtivo, a reunião teve caráter político-eleitoral.
Lideranças presentes fizeram avaliações favoráveis à atual gestão, enquanto a senadora Tereza Cristina, apoiadora da candidatura de Riedel, incentivou produtores e empresários a participarem da campanha eleitoral.
“É com a política que nós vamos mudar. Então, meus amigos, adesivem, conversem, participem”, afirmou a senadora durante o encontro.
As discussões realizadas em Dourados reuniram, assim, temas que vão da rotina das propriedades às decisões sobre infraestrutura, qualificação profissional, industrialização e preservação ambiental que afetam a competitividade do setor em Mato Grosso do Sul.
Eu usaria esse título porque tira a matéria da lógica de peça de campanha e coloca no centro o que realmente há de interesse jornalístico: quais são os gargalos e as prioridades apontadas pelo setor produtivo para os próximos anos.
Da Redação
Foto: Assessoria