O Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (CEMTEC) divulgou as tendências climáticas para os meses de agosto, setembro e outubro de 2026. A análise indica que o estado terá um período marcado por temperaturas acima da média histórica e com a possibilidade de chuvas ligeiramente acima do normal, embora distribuídas de forma irregular.
Mudança de estação e o comportamento das chuvas
O trimestre analisado representa a transição entre o período seco e o início das chuvas na região. De acordo com os dados históricos de referência, o volume esperado de chuva varia de 200 a 300 milímetros na maior parte do estado, alcançando até 400 milímetros no extremo sul e ficando entre 150 e 200 milímetros nas áreas norte, nordeste e noroeste.
Para este ano, os modelos probabilísticos mostram uma tendência de precipitação acumulada um pouco acima dessa média climatológica. No entanto, a equipe técnica alerta que os meses de agosto e grande parte de setembro ainda devem registrar volumes baixos de água, mantendo as características de baixa umidade do ar e alta evaporação comuns da época.
Calor intenso e o avanço do El Niño
A grande preocupação para o final do inverno e início da primavera é o comportamento dos termômetros. As previsões indicam a predominância de temperaturas acima da média histórica em todo o território sul-mato-grossense. Esse cenário sugere uma maior probabilidade de dias seguidos de calor intenso.
Esse aquecimento é impulsionado diretamente pelo fenômeno El Niño, cuja formação foi oficializada em junho de 2026 e que segue em rápida intensificação no segundo semestre. Os órgãos meteorológicos apontam que há 100% de probabilidade de o El Niño atuar nesse trimestre, com cerca de 90% de chance de atingir as categorias de intensidade forte ou muito forte.
Riscos de incêndios e ondas de calor
A combinação de temperaturas elevadas, falta de chuva consistente no início do período e a força do El Niño aumenta significativamente o risco de ondas de calor severas e precoces. Além disso, o cenário acende um alerta para o risco de incêndios florestais. A atenção precisa ser redobrada nas áreas de vegetação nativa e, especialmente, na região do Pantanal até que as chuvas se estabeleçam de forma mais firme.
Planejamento e prevenção
Por se tratar de uma previsão baseada em tendências de longo prazo, os especialistas reforçam que o documento funciona como um subsídio estratégico para orientar ações preventivas por parte do poder público e dos tomadores de decisão. Os impactos do clima podem afetar diretamente setores sensíveis como a agropecuária, a saúde pública, o sistema elétrico e o abastecimento hídrico. Por isso, recomenda-se o monitoramento contínuo das atualizações do tempo para adaptar as estratégias conforme a evolução das condições regionais.