O dia 7 de janeiro de 2026 passa a ocupar um lugar definitivo na história da integração sul-americana. Nesta data, foram oficialmente retomadas as obras da Ponte Internacional Bioceânica, estrutura monumental que transpõe o caudaloso rio Paraguai e conecta, de forma direta e irreversível, Porto Murtinho (Mato Grosso do Sul, Brasil) a Carmelo Peralta (Alto Paraguai, Paraguai), materializando um antigo sonho de união entre povos, nações e continentes.
Mais do que a retomada de um canteiro de obras, o retorno das atividades representa a continuidade de um projeto que redefine fronteiras, encurta distâncias e inaugura um novo tempo para o desenvolvimento regional. A pausa registrada no final de 2025 ocorreu em razão das festividades de fim de ano, quando trabalhadores brasileiros e paraguaios retornaram às suas cidades de origem. Agora, as máquinas voltam a operar com força total, impulsionadas pela expectativa de conclusão até o final de 2026, conforme o cronograma oficial.
A reativação dos trabalhos foi acompanhada de perto pela equipe técnica responsável pelo empreendimento, liderada pelo José Planás, ao lado dos engenheiros Renê Gomez, Kevyn, Douglas e Maicol Aquino. No local, os profissionais confirmaram que a obra já ultrapassou 80% de execução, consolidando-se como uma das mais avançadas e simbólicas infraestruturas internacionais atualmente em construção na América do Sul.
O momento mais aguardado desta etapa será a junção da passarela central sobre o rio Paraguai, prevista para ocorrer até o final de abril de 2026. Esse gesto técnico, de altíssimo grau de complexidade, carrega também um profundo significado histórico: será o instante em que duas margens, dois países e duas histórias se encontrarão definitivamente sobre as águas que, por séculos, foram rota de navegação, fronteira natural e testemunha silenciosa da formação do continente.
Para os engenheiros envolvidos, a Ponte Bioceânica transcende o campo da engenharia civil. “A conclusão desta obra é um marco para a engenharia do Paraguai e da América do Sul. Ela simboliza a união dos povos, a integração de culturas, costumes e economias dos quatro países que compõem o Corredor Bioceânico. Para nós, é uma honra assinar e concretizar uma obra dessa magnitude em nosso continente”, ressaltou a coordenação técnica.
Com investimento estimado em US$ 100 milhões, financiado pela Itaipu Binacional pelo lado paraguaio, o projeto é executado pelo Consórcio PYBRA, formado pelas empresas Tecnoedil Construtora S/A, Paulitec Construções Ltda. e Cidade Ltda. O empreendimento é reconhecido como um dos mais importantes e estratégicos da atualidade, não apenas pela sua imponência física, mas pelo impacto econômico, logístico, cultural e geopolítico que projeta para o futuro.
Quando concluída, a Ponte Bioceânica não será apenas uma ligação entre Brasil e Paraguai. Será um símbolo concreto da integração continental, um elo entre o Atlântico e o Pacífico, e um legado permanente para as próximas gerações, marcando o momento em que a América do Sul decidiu caminhar unida, sobre pilares de aço, concreto e história.
Toninho Ruiz
Foto: Assessoria