27 de Mai, 2026
Pantanal de MS entra na rota dos créditos ambientais para financiar preservação da biodiversidade
27 de Mai, 2026

Mato Grosso do Sul deu mais um passo na implantação de um modelo de créditos de biodiversidade voltado à preservação do Pantanal. A iniciativa será apresentada no próximo dia 27 de maio, em Campo Grande, durante encontro que reunirá representantes do poder público, organizações ambientais, pesquisadores e parceiros técnicos para discutir mecanismos financeiros destinados à conservação ambiental de longo prazo.

O evento será realizado a partir das 14h, no Hotel Deville, e marca uma nova etapa do projeto “Mecanismo de Créditos de Biodiversidade para o Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro (PEPRN)”.

A proposta utiliza o Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro como área piloto para implantação de mecanismos inovadores de financiamento ambiental, com potencial de expansão para outras áreas protegidas do país.

O projeto é financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), dentro do programa “Estratégias de Conservação, Restauração e Manejo para a biodiversidade da Caatinga, Pampa e Pantanal (GEF Terrestre)”, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA). O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) atua como agência implementadora e o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) como executor.

A realização do encontro é coordenada pela Wetlands International Brasil e pela Mupan – Mulheres em Ação no Pantanal, em parceria com o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) e a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).

A iniciativa dá continuidade aos estudos técnicos realizados entre 2024 e 2025, que identificaram potencial da unidade de conservação para geração de créditos ambientais e implantação de soluções baseadas na natureza.

Em julho de 2025, a análise de viabilidade do projeto foi oficialmente entregue à Semadesc e ao Imasul, consolidando uma agenda conjunta entre governo, sociedade civil e parceiros técnicos.

Os estudos apontaram oportunidades especialmente ligadas aos créditos de biodiversidade, fortalecendo o parque estadual como referência em modelos de financiamento ambiental sustentável.

Para a secretária-executiva da Secretaria Executiva de Meio Ambiente da Semadesc, Ana Cristina Trevelin, o projeto coloca Mato Grosso do Sul em posição estratégica no desenvolvimento de soluções ambientais inovadoras.

“A articulação entre instituições públicas, organizações da sociedade civil e parceiros técnicos fortalece a capacidade do Estado de desenvolver soluções baseadas na natureza com potencial de replicação em outras áreas protegidas do país”, comenta.

Já o gerente de portfólio do FUNBIO, Rodolfo Marçal, destacou o potencial do modelo para ampliar ações de preservação ambiental.

“O projeto representa um avanço importante, ao estruturar instrumentos financeiros capazes de dar escala às ações de conservação ambiental. Ao promover a integração entre governo, sociedade civil, setor privado e parceiros técnicos, cria-se um ambiente mais sólido para consolidar modelos replicáveis, com grande potencial transformador”, afirma.

A nova etapa do projeto representa a transição dos estudos técnicos para a implementação prática do mecanismo de créditos de biodiversidade. Entre as ações previstas estão monitoramento ecológico, definição de indicadores ambientais e estruturação de modelos de governança.

Um dos diferenciais do projeto é o uso da onça-pintada como espécie indicadora da saúde do ecossistema pantaneiro. A metodologia envolve monitoramento ambiental, armadilhas fotográficas e análises genéticas ambientais para avaliar a conservação da biodiversidade local.

Da Redação

Foto: Fibracon




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