12 de Ago, 2026
MS se destaca em mobilidade social, mas desigualdade regional ainda desafia avanço
11 de Ago, 2026

Mato Grosso do Sul aparece entre os estados com melhores indicadores de mobilidade social do país, mas os dados também revelam que as oportunidades de ascensão econômica ainda variam conforme a região e as condições de origem das famílias.

Levantamentos do Atlas da Mobilidade Social mostram que o Centro-Oeste concentra uma das maiores probabilidades de ascensão de jovens de baixa renda ao grupo dos 10% mais ricos na vida adulta.

Outro recorte do estudo aponta que, em Mato Grosso do Sul, 21,82% das pessoas originárias da faixa intermediária de renda conseguem alcançar, na vida adulta, o grupo dos 25% mais ricos.

O desempenho coloca o Estado entre os cinco melhores do país nesse indicador.

Os dados reforçam que mobilidade social não depende apenas do crescimento da economia. Educação, formação profissional, localização geográfica e acesso a oportunidades também influenciam as chances de progressão de renda.

Formação profissional entra no caminho dos jovens

Em Três Lagoas, a trajetória de estudantes da rede estadual ilustra parte desse processo.

Saica Floreal deixou a República Dominicana para viver com o pai no município e passou a estudar na Escola Estadual Dom Aquino Corrêa.

Matriculada no ensino médio integrado à formação profissionalizante, ela afirma que a experiência ampliou suas perspectivas de futuro.

“Esta escola proporciona muitas alternativas pra gente”, afirma.

Saica pretende ingressar no ensino superior e considera cursar Medicina ou Direito.

“O curso profissionalizante forma no presente e prepara para o futuro”, resume.

Outra estudante, Estefhany Clariany, também participa de um curso técnico na área da saúde e pretende seguir carreira no setor.

“O conhecimento é a base de tudo”, afirma.

Renda de MS supera média nacional

Outro indicador econômico mostra que Mato Grosso do Sul encerrou 2025 com rendimento nominal domiciliar per capita de R$ 2.454.

O valor ficou acima da média brasileira, de R$ 2.316.

O indicador, no entanto, representa uma média e não significa que todas as famílias disponham desse valor mensalmente.

Diferenças de renda, custo de moradia, alimentação, transporte e acesso a serviços continuam produzindo realidades distintas entre os moradores.

Oportunidades variam entre municípios

O economista Francis Régis Gonçalves, doutor em Desenvolvimento Regional, avalia que as condições de mobilidade social não são iguais em todas as regiões do Estado.

Segundo ele, municípios localizados na faixa de fronteira internacional enfrentam desafios específicos relacionados à renda, educação, atividade econômica, características demográficas e estrutura social.

“É imprescindível o olhar atento da gestão pública — prefeituras, Estado e Governo Federal — às especificidades dos municípios sul-mato-grossenses em faixa de fronteira internacional”, afirma.

Para o economista, políticas de educação básica, ensino tecnológico, formação superior e qualificação profissional precisam considerar essas diferenças territoriais.

Riedel cita educação e emprego como prioridades

O governador Eduardo Riedel defende que crescimento econômico e expansão do mercado de trabalho sejam acompanhados por medidas capazes de ampliar o acesso da população às oportunidades.

“Para quem trabalha, paga aluguel, mantém um pequeno negócio ou sustenta os filhos, desenvolvimento só ganha sentido quando aparece na renda, na oportunidade profissional e na possibilidade de oferecer um futuro melhor à família”, afirma Riedel.

Entre as políticas citadas estão programas de permanência estudantil e de qualificação profissional, voltados a jovens e trabalhadores em busca de formação.

O desafio, segundo o governador, é fazer com que os indicadores positivos alcancem também famílias e municípios que ainda convivem com menor renda e menor acesso às oportunidades.

“O desafio é fazer com que o lugar onde uma criança nasce determine cada vez menos as oportunidades que terá na vida adulta”, afirma.

Os dados indicam que Mato Grosso do Sul mantém posição favorável em diferentes medidas de mobilidade e renda, mas também evidenciam que crescimento econômico, sozinho, não elimina desigualdades.

A capacidade de ampliar educação, qualificação e acesso ao emprego continuará sendo um dos fatores decisivos para transformar os indicadores econômicos em melhoria efetiva de renda para a população.

Da Redação

Foto: Assessoria




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