A Justiça Estadual aceitou denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), contra 20 pessoas acusadas de envolvimento em uma organização criminosa armada voltada à exploração do jogo do bicho. A decisão foi proferida pela 4ª Vara Criminal de Campo Grande no último dia de expediente antes do recesso de fim de ano de 2025.
Segundo o MP, a organização atuava de forma estruturada, com divisão de funções, uso de empresas de fachada e mecanismos para lavar dinheiro. A denúncia é resultado da quarta fase da Operação Successione, que investiga a disputa por monopólio da contravenção penal em Campo Grande e outras cidades do interior, sob liderança de um núcleo familiar de Dourados.
Os réus vão responder por crimes como organização criminosa, exploração de jogo do bicho, lavagem de capitais e corrupção ativa. O Gaeco também solicitou o bloqueio de R$ 36 milhões, valor estimado de lavagem de dinheiro pelo grupo.
Violência e corrupção
A denúncia relata que o grupo utilizava violência e corrompia agentes públicos para garantir suas atividades ilegais. Três roubos contra operadores rivais, ocorridos em outubro de 2023 na Capital, estão descritos na ação.
Entre os denunciados estão um deputado estadual, dois policiais militares da reserva, dois irmãos do parlamentar e o patriarca da família.
Interceptações telefônicas e telemáticas embasaram a denúncia e revelam a estrutura hierárquica e o controle financeiro da organização. Nas diligências, foram apreendidas mais de 700 máquinas de aposta, armas, munições e R$ 270 mil em dinheiro vivo.
Também foram identificadas compras de imóveis e veículos em nome de terceiros para esconder a origem ilícita dos recursos.
Com o recebimento da denúncia, os réus serão citados e terão 10 dias para apresentar resposta à acusação. O processo segue com a fase de instrução, agora com o apensamento das medidas cautelares, como quebras de sigilo e apreensões, aos autos principais.
Da Redação
Foto: Assessoria