Sipriano Nascimento de Oliveira foi condenado a 33 anos e 8 meses de prisão pelo feminicídio de Marta Leila Silva Neto, morta a facadas em janeiro de 2024, no distrito de Silviolândia, em Coxim.
A sentença foi definida pelo Tribunal do Júri de Coxim, que reconheceu as qualificadoras de motivo torpe e feminicídio. O cumprimento da pena será inicialmente em regime fechado e a prisão preventiva do condenado foi mantida.
Marta tinha 37 anos quando foi assassinada, no dia 21 de janeiro de 2024. Conforme a investigação, ela e Sipriano mantinham um relacionamento marcado por conflitos e, no dia do crime, tiveram uma discussão relacionada a ciúmes.
Segundo a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, Marta decidiu encerrar o relacionamento e pediu que Sipriano deixasse a residência. O homem saiu, mas retornou pouco tempo depois e atacou a companheira com uma faca.
Marta foi atingida diversas vezes
A sentença considerou a violência empregada no ataque. O MPMS informou que Marta foi atingida por 11 golpes de faca. Reportagens publicadas na época, com base no exame realizado no corpo, apontaram 12 perfurações.
A vítima morreu ainda no local.
Após o crime, Sipriano também sofreu ferimentos provocados por faca e foi socorrido inicialmente ao Hospital Regional Álvaro Fontoura, em Coxim. Posteriormente, ele foi transferido para Campo Grande.
Em março de 2024, durante o avanço da investigação, a Polícia Civil cumpriu mandado de busca na residência ligada ao acusado. Na ocasião, foram apreendidas duas munições calibre 36. A diligência ocorreu após testemunhas relatarem que Marta teria sido ameaçada com arma de fogo antes do feminicídio.
Júri rejeitou argumento de violenta emoção
Durante o julgamento, a defesa pediu a absolvição e também tentou obter o reconhecimento de homicídio privilegiado sob o argumento de violenta emoção.
Os jurados rejeitaram as duas teses e reconheceram a autoria e a materialidade do crime. O Conselho de Sentença também aceitou a acusação de que o homicídio ocorreu por motivo torpe e em contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher.
Na definição da pena, a Justiça considerou a gravidade do ataque e relatos de comportamento controlador e violento por parte do condenado.
Marta deixou dois filhos. A Justiça fixou ainda indenização mínima de R$ 10 mil por danos morais aos herdeiros da vítima.
Crime foi o terceiro feminicídio de 2024 em MS
O assassinato de Marta foi registrado, à época, como o terceiro feminicídio ocorrido em Mato Grosso do Sul naquele ano. O casal mantinha relacionamento havia aproximadamente seis anos.
Com a condenação, Sipriano permanece preso e deverá iniciar o cumprimento dos 33 anos e 8 meses de pena em regime fechado.
Da Redação
Foto: Assessoria