Mato Grosso do Sul foi palco de um amplo encontro dedicado ao debate sobre conservação ambiental, biodiversidade e desenvolvimento sustentável. O Conservação MS reuniu, em Campo Grande, entre 29 de setembro a 1 de outubro, estudantes, pesquisadores, profissionais, instituições, organizações e representantes de diferentes setores em uma programação que buscou aproximar conhecimento científico, experiências práticas e diferentes perspectivas sobre os desafios ambientais do Estado.
Realizado pelo Instituto Conservação Brasil, o evento teve como proposta ampliar o diálogo sobre a conservação da biodiversidade e criar conexões entre pessoas e organizações que atuam ou têm interesse na construção de soluções para os desafios ambientais e sociais contemporâneos.
A escolha de Mato Grosso do Sul para sediar o encontro também dialoga com as características ambientais do Estado, que reúne diferentes biomas e apresenta uma das maiores diversidades de paisagens, espécies e ambientes naturais do território brasileiro.
Para Nondas Okiama, organizador do Conservação MS, a realização do evento nasceu justamente da percepção de que existe no Estado uma demanda por maior integração entre as pessoas e instituições envolvidas com a agenda da conservação.
“Tem um lado de perceber que existe uma latência, uma necessidade, uma vontade, muitas pessoas incríveis no Estado de Mato Grosso do Sul, que é um Estado maravilhoso, que tem essa característica de ter esses quatro biomas aqui concentrados, de ter essa biodiversidade que é muito específica, muito única. E perceber essa latência deixa a gente com vontade de fazer”, afirmou.
A programação foi construída com o objetivo de ampliar a compreensão sobre conservação para além da proteção direta dos ambientes naturais. Saúde dos rios, infraestrutura de transporte, turismo, produção sustentável, legislação, jornalismo ambiental, ciência e arte estiveram entre os temas abordados durante os painéis e debates.
Essa diversidade foi destacada pelo cientista José Sabino, que integrou um dos painéis do evento. Para ele, a pluralidade da programação foi um dos aspectos que contribuíram para a qualidade das discussões.
“Destaco a importância do evento, muito plural e rico em debates e proposições. O Mato Grosso do Sul tem múltiplos valores associados à sua biodiversidade e o debate sobre conservar e usar é relevante para nosso futuro”, afirmou Sabino.
Segundo o cientista, a amplitude dos temas demonstra que a conservação precisa ser compreendida como uma agenda transversal, que envolve diferentes dimensões da vida econômica, social e cultural.
“Esse evento mostra claramente a importância e a atualidade da Conservação. Da saúde dos rios à infraestrutura de transporte, do turismo à produção sustentável, passando pela legislação, pelo jornalismo ambiental e pela arte, a diversidade de painéis revela a amplitude de uma agenda que já não pode ser adiada: enfrentar, de forma integrada, os desafios ambientais e sociais do presente”, destacou.

Coletividade e coexistência
A proposta de integração também esteve presente na avaliação de Okiama sobre os resultados do encontro. Para o organizador, um dos principais legados do Conservação MS é justamente a possibilidade de aproximar diferentes atores e identificar aqueles dispostos a construir ações de maneira colaborativa.
“O que fica de positivo para mim, como organizador e como pessoa que pensa que conservação precisa ser cada vez mais coletiva, cada vez mais sobre conexão e sobre pessoas, organizações, instituições fazerem junto, é que quando a gente faz esse movimento, consegue enxergar quais são, de fato, as peças que a gente consegue contar, quais são as peças que de fato estão nesse jogo da conservação”, explicou.
A ideia de construção coletiva, segundo Okiama, está no centro da proposta do Instituto Conservação Brasil e do próprio evento. A intenção é estimular uma rede na qual diferentes pessoas e instituições possam contribuir de acordo com suas capacidades e experiências.
“Se eu estou fazendo uma ação, eu te ajudo a fazer essa ação, o outro vem e colabora da maneira que dá e a gente consegue fazer algo que vai impactar todo mundo”, afirmou.
Emergência climática e consciência ambiental
Entre os temas que ganharam destaque esteve a emergência climática e a necessidade de ampliar a consciência da sociedade sobre sua relação com o meio ambiente.
Para Okiama, colocar estudantes e profissionais de diferentes áreas no mesmo ambiente foi fundamental para estimular uma discussão que precisa alcançar cada vez mais setores da sociedade.
“Conseguimos ver essa importância tão grande de colocar no mesmo ambiente estudantes, profissionais de altíssimo nível para fazer essa discussão tão necessária para esse momento, a discussão que trata das emergências climáticas, da consciência ambiental, da proximidade das pessoas ou da distância das pessoas com o meio e, principalmente, da consciência política que a gente precisa ter num momento como esse”, afirmou.
A diversidade dos participantes e dos temas discutidos reforçou uma das características centrais do Conservação MS: compreender a conservação como uma agenda que depende da participação de diferentes setores.
Nesse sentido, o evento aproximou ciência, educação, comunicação, produção, turismo, cultura, poder público e sociedade civil em torno de uma discussão comum sobre os caminhos para conciliar conservação ambiental e desenvolvimento.

Um espaço permanente de conexão
Mais do que uma programação de palestras e painéis, o Conservação MS buscou estabelecer um espaço de conexão e articulação entre pessoas e organizações.
Para Okiama, essa dimensão coletiva é fundamental para que a agenda ambiental avance.
“Vamos parar com a ilusão de que as coisas estão bem. Não estão. A gente precisa se conectar e se vincular àqueles que acreditam, que fazem, que entendem o poder do coletivo para poder realizar”, declarou.
Ao fazer um balanço da experiência, o organizador avalia que o evento também fortaleceu relações já existentes e abriu novas possibilidades de colaboração para o Instituto Conservação Brasil.
“O que eu vou levar do Mato Grosso do Sul é uma experiência ímpar, que vai me fortalecer, o Instituto também, e os parceiros que a gente fez aqui e os que a gente já tinha, que foram reforçados”, concluiu.
Com a realização do Conservação MS, Mato Grosso do Sul passa a integrar uma agenda de discussão que conecta biodiversidade, mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável e participação social.