19 de Ago, 2026
El Niño de alta intensidade e ondas de calor colocam MS sob alerta até novembro
18 de Ago, 2026

Mato Grosso do Sul deve enfrentar um trimestre marcado por temperaturas persistentemente elevadas, risco de ondas de calor precoces e alerta severo para incêndios florestais entre os meses de setembro e novembro de 2026. A previsão sazonal foi divulgada pelo Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima, o Cemtec, vinculado à Semadesc, com base em dados de modelos climáticos globais do serviço europeu Copernicus e da NOAA.

Apesar de a tendência apontar acumulados de chuva ligeiramente acima da média histórica para o período, que varia entre 300 mm e 400 mm na maior parte do estado, alcançando até 500 mm no Sul, a transição entre a estação seca e a chuvosa será marcada pela irregularidade na distribuição das pancadas. A combinação de chuvas mal distribuídas com alta evaporação e temperaturas que devem superar o padrão histórico de 22 °C a 26 °C acende o sinal de alerta para a gestão de riscos.

O principal motor do cenário meteorológico é a permanência do fenômeno El Niño com 100% de probabilidade de atuação no segundo semestre. As projeções do Centro de Previsão Climática indicam uma chance de 70% a 90% de o fenômeno atingir a categoria Muito Forte. Segundo os técnicos do Cemtec, o aquecimento das águas do Oceano Pacífico altera a circulação atmosférica regional, o que favorece o surgimento de períodos prolongados de calor intenso e seca do ar antes mesmo do início do verão.

O relatório técnico cruza os dados do Cemtec com o mapa de perigo de fogo elaborado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, o Cemaden. A maior parte do território sul-mato-grossense já se encontra sob níveis de Atenção e Alerta. A situação mais crítica afeta os municípios do Pantanal e das regiões Norte e Nordeste, classificados sob o nível de Alerta Alto. Essa condição indica probabilidade elevadíssima de focos de queimada com propagação rápida, exigindo a mobilização imediata de equipes de brigadistas, ações coordenadas de contenção e campanhas preventivas de conscientização.

A persistência do calor aliada à baixa umidade relativa do ar traz consequências diretas para a população. A possível concentração de fumaça e material particulado na atmosfera tende a deteriorar a qualidade do ar, aumentando o risco de complicações respiratórias, sobretudo em crianças e idosos.

Além dos danos ambientais e à saúde, as ondas de calor representam um risco transversal para a economia do estado. No agronegócio, há possibilidade de aumento do estresse térmico em lavouras e plantéis, somado à instabilidade no ritmo das chuvas de início de safra. Nos setores hídrico e energético, projeta-se a elevação do consumo de água e energia elétrica, pressionando mananciais, reservatórios e a infraestrutura de distribuição.

O Cemtec enfatiza que o monitoramento contínuo dos indicadores ambientais será mantido ao longo do trimestre para subsidiar tomadas de decisão rápidas e mitigar eventuais impactos de eventos climáticos extremos.

 



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