Uma pesquisa liderada pela professora Tatiana Coelho de Sampaio, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), desenvolveu uma proteína experimental chamada polilaminina, capaz de estimular a reconexão de neurônios danificados em lesões na medula espinhal. O avanço permitiu que pacientes paraplégicos e tetraplégicas recuperassem movimentos após usar a vacina. E hoje, durante a sessão da Assembleia Legislativa de MS, o deputado estadual Pedro Kemp (PT) apresentou Moção de Congratulação à cientista.
"Tatiana Coelho Sampaio é bióloga e chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. Nossa Moção é pelo relevante avanço científico alcançado em sua trajetória de pesquisa e pela contribuição de grande impacto para a ciência brasileira. Pessoas paraplégicas e tetraplégicas agora terão seus movimentos. É um orgulho nacional, ciência produzida no Brasil que demonstra qualidade e relevância”. disse Kemp.
Em Mato Grosso do Sul, o militar de apenas 19 anos, Luiz Otávio Santos Nunez é o paciente mais jovem a receber a polilaminina no Brasil e o primeiro de Mato Grosso do Sul. O jovem é militar do Exército Brasileiro e ficou tetraplégico após um acidente com arma de fogo em outubro do ano passado. Após a alta hospitalar, ele irá realizar fisioterapias em casa com equipe multidisciplinar na esperança de retomar os movimentos.
Luiz Otávio disse à imprensa que voltou a movimentar a ponta de um dos dedos da mão 12 dias após a aplicação da proteína, que ocorreu no Hospital Militar de Campo Grande.
Para ter acesso ao medicamento, ainda em fase experimental, ele precisou recorrer à Justiça. A proteína está em estudos clínicos na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “É algo mínimo, é um movimento pequeno, só que é algo que eu não via antes. E eu tinha comentado com a minha mãe que eu não conseguia mexer a ponta do dedo indicador igual mexia dos outros dedos, e agora [desde o último domingo (1)] eu consigo mexer a ponta”, disse Luiz Otávio ao G1.
A polilaminina vem sendo estudada há mais de 20 anos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O composto é uma versão recriada em laboratório da laminina, proteína presente no desenvolvimento embrionário e ajuda os neurônios a se conectarem
Em lesões na medula, como a de Luiz Otávio, os sinais elétricos do cérebro deixam de chegar ao corpo porque as fibras nervosas são rompidas. A atuação da polilaminina é ajudar essas fibras a crescer novamente e restabelecer parte da comunicação.
O jovem também disse que passou a sentir movimentos nos nervos das pernas, que foram afetadas e perderam a sensibilidade e movimentação após o acidente. A fisioterapia tem sido essencial para a auxiliar na recuperação de Luiz Otávio.
Da Redação
Foto: Assessoria