Camapuã foi um dos quatro municípios brasileiros contemplados com o Selo de Qualidade na Execução do Serviço de Acolhimento Familiar, concedido pelo Instituto Acolher.
O reconhecimento garante ao município participação como expositor no I Congresso Internacional de Acolhimento Familiar – Rio 2026, marcado para os dias 12, 13 e 14 de agosto, no Rio de Janeiro.
Durante o evento, Camapuã apresentará a experiência do serviço implantado há quase 24 anos para atender crianças e adolescentes afastados temporariamente de suas famílias por decisão judicial.
Serviço foi implantado em 2002
O acolhimento familiar começou a funcionar em Camapuã em 2002, com participação do Poder Judiciário e da rede municipal de proteção.
Desde então, o modelo passou por atualizações e ampliou a integração entre Justiça, Ministério Público, Conselho Tutelar, assistência social, saúde e educação.
O selo foi concedido após análise de critérios como tempo de funcionamento, reintegração familiar, cumprimento de prazos, formação da equipe técnica, escolha das famílias acolhedoras e capacidade de atendimento.
Para o juiz da Comarca de Camapuã, Daniel Foletto Geller, o resultado decorre da atuação conjunta das instituições.
“A conquista é reflexo da atuação articulada e do compromisso do Poder Judiciário, do Ministério Público Estadual e do Município de Camapuã em priorizar o atendimento das crianças e adolescentes que necessitam de acolhimento familiar. Também representa o reconhecimento do esforço coletivo e incansável realizado há muitos anos em nosso município, que se iniciou com o colega Deni Luis Dalla Riva e foi reforçado pelo colega Ronaldo Gonçalves Onofri, sempre atuando em conjunto com nossa assistente social Dirlene Joceli Colla e com a rede de proteção municipal, capitaneada pela psicóloga Ana Karina de Carvalho. Continuaremos firmes no propósito de melhorar cada vez mais nosso serviço de acolhimento familiar.”
Como funciona o acolhimento familiar
O serviço atende crianças e adolescentes que precisam ser afastados provisoriamente do núcleo familiar.
Eles passam a viver com famílias selecionadas, capacitadas e acompanhadas por profissionais até que seja possível a reintegração à família de origem ou a definição de outra medida judicial.
Diferentemente da adoção, o acolhimento é temporário. A legislação brasileira estabelece preferência por essa modalidade em relação ao acolhimento institucional.
A assistente social Dirlene Joceli Colla, que acompanha o serviço desde 2016, destaca a importância do atendimento individualizado.
“As crianças acolhidas em família acolhedora têm a oportunidade de viver o amor, o cuidado e a proteção familiar. É uma experiência que contribui para que elas compreendam o que é uma família protetiva e levem esse aprendizado para toda a vida. O atendimento é individualizado, com a mesma família cuidando da criança todos os dias, proporcionando a construção de vínculos, segurança e desenvolvimento. Família acolhedora é sinônimo de cuidado, amor e proteção individualizados.”
“Para nós, o acolhimento familiar não é apenas uma opção. É a modalidade que oferece à criança ou adolescente a oportunidade de viver em família e receber a atenção individualizada prevista em lei”, ressalta.
Município oferece incentivos às famílias
Entre as medidas adotadas em Camapuã estão a isenção do IPTU do imóvel utilizado no acolhimento e a concessão de período anual de descanso remunerado às famílias participantes.
O município está entre os que possuem maior número de famílias acolhedoras ativas em Mato Grosso do Sul.
Atualmente, o Estado possui 122 famílias em atividade. Ao todo, 27 municípios contam com famílias cadastradas e atuantes, enquanto outros 17 possuem legislação aprovada, mas ainda não têm participantes ativos. Em 36 cidades, o serviço ainda não foi implantado.
Da Redação
Foto: Assessoria