20 de Jun, 2026
Brigada Alto Pantanal zera combates e antecipa prevenção contra incêndios na Serra do Amolar
19 de Jun, 2026

A Brigada Alto Pantanal, mantida pelo Instituto Homem Pantaneiro (IHP), encerrou o primeiro semestre de 2026 sem registro de combates a incêndios ativos na região do corredor de biodiversidade da Serra do Amolar, no Pantanal de Mato Grosso do Sul. O resultado é atribuído ao trabalho preventivo realizado antes do período mais crítico da seca.

Entre janeiro e junho, a brigada realizou 15 operações de prevenção, com abertura e manutenção de 33,28 quilômetros de aceiros, além de ações de limpeza em áreas prioritárias, reservas particulares, propriedades rurais e no entorno de escolas municipais rurais.

As atividades ocorreram em regiões remotas, a mais de seis horas de barco de Corumbá, rio Paraguai acima, incluindo as comunidades do Paraguai Mirim, Barra do São Lourenço e Aterro do Binega.

Além da proteção ambiental, as ações beneficiam diretamente famílias pantaneiras que vivem em áreas isoladas. Nas escolas municipais de Educação Integral Polo São Lourenço e Paraguai Mirim, a brigada executou serviços de limpeza e redução de vegetação no entorno das unidades para diminuir o risco de propagação do fogo.

No total, as ações preventivas envolvendo as duas escolas ajudam a proteger cerca de 197 moradores, entre eles 65 crianças e adolescentes.

“O trabalho da brigada do IHP é fundamental. Não se trata de uma brigada que vai atuar combatendo o fogo apenas, essa é uma brigada ambiental. Nessas regiões de atuação, são quase 200 pessoas que vivem em comunidades, com mais de 60 crianças que dependem dessas escolas rurais. Esse trabalho só é possível quando há o apoio das comunidades e de parceiros, como o Prevfogo e parceiros estratégicos”, destacou o presidente do IHP, Ângelo Rabelo.

Na Escola Polo São Lourenço, a Brigada Alto Pantanal atuou em conjunto com a brigada comunitária local e o Prevfogo/Ibama. Além das medidas contra incêndios, os brigadistas também apoiaram o conserto emergencial do forro do prédio e a implantação de uma horta com sistema de irrigação.

As ações também têm impacto direto na fauna. Segundo o IHP, os aceiros e trilhas ajudam a criar rotas de fuga para animais em caso de incêndio. O monitoramento ambiental da instituição já identificou ao menos 200 espécies da fauna na Serra do Amolar, incluindo dez com algum grau mais severo de ameaça.

“Trabalhamos para buscar um resultado prático para a conservação e apoio a famílias do Pantanal. Quando limpamos uma trilha ou fazemos o manejo do fogo no momento correto, estamos salvando o bioma antes mesmo que a primeira faísca ameace subir”, afirmou o chefe da Brigada Alto Pantanal, Manoel Garcia.

O trabalho exige logística complexa, com uso de barcos, tratores e longos deslocamentos a pé. As ações contam com apoio do Prevfogo/Ibama, brigadas comunitárias, Marinha do Brasil, Governo do Estado, por meio do PSA Pantanal, além de parceiros como ADM Cares, Instituto PHI, GEF, BID e Funbio.

O alerta para o segundo semestre segue elevado. Nota técnica do Cemaden aponta mais de 80% de probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño a partir do trimestre agosto, setembro e outubro, com intensidade entre moderada e forte.

A previsão indica risco de ondas de calor, baixa umidade e agravamento das condições favoráveis a incêndios na área central do país, cenário que pode impactar diretamente o Pantanal.

Diante desse quadro, o IHP reforça que a antecipação das ações preventivas será decisiva para reduzir riscos às comunidades, à biodiversidade e às áreas protegidas da Serra do Amolar durante o período mais seco do ano.

Da Redação

Foto: Assessoria




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