02 de Abr, 2026
Barragens ameaçam rios e espécies migratórias no Pantanal de MS
31 de Mar, 2026

A conservação das espécies migratórias no Pantanal depende da integridade e da conectividade dos rios, fundamentais também para a pesca artesanal na Bacia do Alto Paraguai (BAP).

Em meio aos debates da COP15, a organização Ecoa – Ecologia e Ação alerta para os impactos da expansão de hidrelétricas na região. Atualmente, a bacia já possui dezenas de usinas em operação e novos projetos em andamento.

Mesmo empreendimentos de menor porte, como Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), podem causar impactos acumulados, como fragmentação dos rios, alteração do fluxo de água e perda de conectividade.

"Atualmente, as 58 represas em operação na BAP estão na parte alta (planalto) e, além disso, outros 65 empreendimentos estão previstos. Se isso se concretizar, serão mais de 120 empreendimentos fragmentando os rios que abastecem o Pantanal e acarretando vários outros problemas socioambientais", alerta Fernanda Cano, analista de conservação da Ecoa.

Impactos na biodiversidade e na economia

A conectividade dos rios é essencial para espécies migratórias. Peixes como o dourado percorrem longas distâncias para reprodução e dependem de rios livres para completar seu ciclo de vida.

A interrupção desse fluxo afeta não só a biodiversidade, mas também a pesca artesanal, atividade que sustenta comunidades na região.

Estudo da Agência Nacional de Águas (ANA) aponta que o represamento compromete áreas de desova, a dispersão de ovos e reduz estoques pesqueiros.

"Os impactos não se restringem à biodiversidade. Na Bacia do Alto Paraguai, pescadores artesanais dependem diretamente dos ciclos naturais dos rios para sua subsistência."

"O Brasil tem muito potencial para a implementação de outras fontes de energia, então, permanecer nessa matriz energética é assumir um risco para as espécies migratórias", conclui Fernanda.

Experiências mostram alternativas

Iniciativas recentes mostram que é possível conciliar conservação e desenvolvimento. A atuação da Ecoa contribuiu para barrar hidrelétricas na região da Cachoeira Água Branca.

Outro exemplo é o rio Cabaçal, em Mato Grosso, um dos últimos rios livres da região, onde a mobilização resultou na criação de uma unidade de conservação.

No contexto da COP15, especialistas defendem a ampliação de ações que garantam rios livres e a preservação integrada da Bacia do Alto Paraguai, essenciais para a biodiversidade e para as comunidades que dependem desses recursos.

Da Redação
Foto: Fernanda Cano/Arquivo Ecoa




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