14 de Abr, 2026
Após 16 anos de hemodiálise, paciente de MS consegue transplante
14 de Abr, 2026

Diagnosticado em 13 de março de 2009 com nefropatia por IgA, conhecida como doença de Berger, Anderson iniciou sessões de hemodiálise em 6 de abril do mesmo ano. O tratamento se estendeu por 16 anos e 8 meses, marcados por rotina intensa, deslocamentos e expectativa por um transplante.

Durante esse período, Anderson passou por centros de tratamento em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná. Ao longo dos anos, foi convocado diversas vezes para transplante, mas sem sucesso devido à incompatibilidade.

“A gente vive esperando o telefone tocar. Pode ser a qualquer hora, de madrugada, durante o almoço. Isso mexe com o psicológico, com o sono, com tudo”, relata.

Mesmo em tratamento, ele seguiu trabalhando como investigador da Polícia Civil desde 2006. “Sempre tive apoio dos meus colegas e da instituição. Isso fez toda a diferença para eu continuar firme durante esse processo”, afirma.

Transplante após 13 tentativas

A espera terminou após acompanhamento no Hospital do Rocio, no Paraná. Depois de 12 tentativas frustradas, o transplante foi viabilizado na 13ª convocação.

“Quando deu certo, foi como ganhar uma nova vida. Foram muitos anos tentando, vendo outras pessoas conseguirem e eu tendo que recomeçar. É uma sensação que não dá para descrever”, conta.

A convocação ocorreu na madrugada de 13 de outubro, exigindo deslocamento imediato.

Apoio logístico

O transporte rápido foi essencial para o sucesso do procedimento. Em outras ocasiões, Anderson contou com apoio aéreo do Governo do Estado.

“Quando o chamado acontece, não tem como esperar. É tudo muito rápido. Sem esse tipo de apoio, muita gente não consegue chegar a tempo”, explica.

Ele também destacou o trabalho das equipes envolvidas. “São verdadeiros anjos. A Casa Militar, os pilotos, as equipes… todos sempre prontos para ajudar. Isso salva vidas”, afirma.

Operação de transporte

O piloto da Casa Militar, Enilton Zalla, participou do transporte e relatou os desafios da missão.

“Era um voo que precisava sair e chegar muito cedo em Curitiba. A gente ainda tinha uma condição de meteorologia que poderia dificultar o pouso, mas assumimos o compromisso e partimos para o desafio”, relata.

O deslocamento ocorreu durante a madrugada, garantindo a chegada a tempo para o transplante.

“Para nós foi uma felicidade muito grande. A gente participa de muitas histórias como essa, e poder ver quando dá certo, principalmente com alguém que a gente tem proximidade, é um privilégio enorme”, afirma Enilton.

Segundo ele, o trabalho exige rapidez. “Quando a demanda surge, a gente avalia rapidamente as condições e, sendo possível, já inicia o voo. É um trabalho que exige precisão e agilidade, porque cada minuto faz diferença”, explica.

Cirurgia e recuperação

O transplante foi realizado em 14 de outubro. Ao chegar ao hospital, Anderson relatou mistura de sentimentos.

“A gente sonha com esse momento, mas também sente medo. É uma cirurgia grande, uma mudança de vida”, afirma.

Segundo ele, o atendimento foi decisivo. “Fui muito bem recebido. A equipe já estava preparada, aguardando. Tudo precisa ser rápido para garantir que o órgão seja transplantado com sucesso”, explica.

Nova fase

Após o procedimento, Anderson resume o momento como recomeço. “Estou vivendo uma nova vida. Sou muito grato a todos que fizeram parte dessa trajetória”, afirma.

Ele também destacou o apoio da família durante o tratamento.

Estrutura de transplantes

O caso reflete a atuação integrada do Estado no transporte de pacientes e órgãos. Desde 2023, foram realizadas 39 missões aéreas, sendo 19 apenas no último ano.

A coordenadora da Central Estadual de Transplantes, Claire Miozzo, destacou a importância da agilidade. “Quando conseguimos reduzir o tempo entre a captação e o transplante, aumentamos significativamente as chances de sucesso. Essa integração tem salvado vidas”, afirma.

O cirurgião Gustavo Rapassi também ressaltou o impacto do suporte logístico. “Os pacientes que aguardam estão, muitas vezes, em situação de vida ou morte. Quando conseguimos reduzir o tempo de transporte, aumentamos a chance de que esse órgão realmente chegue e seja aproveitado”, explica.

“Sem essa estrutura, muitos órgãos não conseguiriam ser utilizados a tempo. Isso faz toda a diferença para quem está na fila”, completa.

Da Redação

Foto: Assessoria




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