09 de Mar, 2026
Ação com produtores avança na conservação do solo e reforça proteção ao Pantanal
04 de Mar, 2026

A recuperação da Bacia do Alto Taquari tem avançado de forma estruturada em Mato Grosso do Sul, com a realização do Projeto Prosolo. Coordenado pelo Governo do Estado de MS, em parceria com o Instituto Taquari Vivo (ITV) e prefeituras da região, o projeto busca recuperar áreas degradadas, promover adequações em estradas rurais, proteger nascentes e melhorar a qualidade da água que chega à planície pantaneira, tendo o produtor rural como um dos protagonistas na adoção das práticas de conservação do solo e recuperação das pastagens dentro de sua própria propriedade.

Segundo dados divulgados pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul (Semadesc), o projeto já apresentou resultados consolidados. Na microbacia do Córrego Pontinha, em Coxim, foram recuperados 2.073 hectares, com a implantação de 461,8 quilômetros lineares de terraços, estruturas fundamentais para conter a enxurrada, reduzir a velocidade da água e favorecer sua infiltração no solo. Os números indicam um esforço significativo de contenção da erosão em uma região historicamente marcada por solos arenosos, declividades acentuadas e elevada vulnerabilidade à degradação.

Para o diretor executivo do Instituto Taquari Vivo, Renato Roscoe, a base da recuperação hídrica está no manejo adequado das áreas altas da bacia. “O impacto vai além da propriedade individual. Ao reduzir o carreamento de sedimentos para os cursos d’água, o projeto atua na origem de um dos principais problemas ambientais da região: o assoreamento do Rio Taquari e seus afluentes, com efeito direto na dinâmica hídrica no planalto e Pantanal”, explicou Roscoe.

Ele ainda reforça que o projeto demonstra a importância da integração entre governo, ciência e produtor rural. “O modelo combina planejamento técnico, apoio institucional e adesão voluntária dos proprietários, criando um arranjo que distribui responsabilidades e resultados. É importante dizer que nós, ao mesmo tempo que melhoramos o ativo, nós também contribuímos para melhorar a produtividade desses produtores”, completou.

Com base na experiência da fase piloto, o Prosolo avança agora para uma etapa regional estruturada, com metas definidas. Em Alcinóplis e Figueirão, o projeto estabelece como meta a adequação de 25 quilômetros de estradas rurais, além da implantação de 375 quilômetros de terraços agrícolas, contemplando uma área estimada de 1.800 hectares com práticas de conservação do solo em cada município. 

Solo protegido e produtividade em alta

Em Alcinópolis, a fazenda Morro da Tijela exemplifica como conservação e produtividade caminham juntas. Com 940 hectares de área total, a fazenda já possui aproximadamente 105 hectares terraceados dentro do escopo do projeto. Após a implantação, os terraços passaram por revegetação com semeadura de capim e correção do solo, reforçando a fixação e aumentando a infiltração de água.

Para o produtor, os resultados já começam a ser percebidos no campo. “Antes, a água descia com muita força e levava o solo embora. Hoje a gente percebe que ela infiltra mais, segura a umidade e a pastagem responde melhor. Não é só conservação, é produtividade”, afirma o produtor rural Jader.

A expectativa é elevar a lotação da propriedade de 1 Unidade Animal (UA) por hectare para algo entre 1,6 e 1,8 UA/ha, podendo se aproximar de 2 UA/ha nas áreas já estabilizadas. “Se eu produzo mais na mesma área, eu não preciso abrir novas áreas. Isso dá segurança econômica e ambiental”, acrescenta o produtor.

Da Redação
Foto: Assessoria




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